Letra — Chão Vermelho e Coração
Antes era garateia e fé,
Mergulho livre, sem saber por quê,
Equipamento pesado que não resolvia,
O lago guardava o que não devolvia.
Mas em setenta, três bravos soldados
Partiram pro Rio, de sonho embarcados —
Marano, Magela e o Índio Godoy,
Na escola da Marinha, cada qual foi herói.
Mergulhadores do Cerrado,
Onde a água chama, lá vão sem medo,
Trazem do fundo o corpo calado,
Devolvem à terra o mais caro segredo.
Veio o Tenente Duarte, oficial de valor,
Com Góes de Araújo montou o esplendor —
A Companhia de Salvamento nasceu,
E o lago profundo enfim respondeu.
Içaram peças, dragas e avião,
Não havia pedido que ficasse em vão,
Da traqueia rústica ao rosto coberto,
O mergulho evoluiu — perigo e acerto.
Mergulhadores do Cerrado,
Onde a água chama, lá vão sem medo,
Trazem do fundo o corpo calado,
Devolvem à terra o mais caro segredo.
Setenta e cinco, Coronel perguntou:
"Podemos ter curso?" — e Duarte criou.
Trinta edições, duzentos e quarenta e oito
Formados na luta, nenhum sem proveito.
Quarenta e nove hoje mergulham de pé,
Do Paranoá fundo ao mais raso igarapé,
Outros estados chamam, eles vão sem demora —
É o Grupamento de Busca que nunca vai embora.
Mergulhadores do Cerrado,
Onde a água chama, lá vão sem medo,
Trazem do fundo o corpo calado,
Devolvem à terra o mais caro segredo.
Onde a água esconde, o bombeiro vai buscar.






